O ECLIPSE

Em abril de 1.996 eu estava bancário, com 30 anos de idade, solteiro e solitário, estressado e louco por aventuras, quando então, até que enfim, férias! Conversando com o Cláudio, meu colega de trabalho que tal "sacrifício" também “sofreria”, decidimos viajar para a histórica Porto Seguro - Bahia! Deixamos “Beagá” - Minas Gerais - sob a deslumbrante lua cheia e, pela madrugada estrada afora, enfrentando buracos, caminhões na contramão e rumores de assalto nas rodovias, doze horas depois avistamos o Monte Pascoal e, dali em diante, sentindo gostosa maresia, naquela turística cidade aportamos sob o escaldante “sol baiano”!

Mar a viiistaaa!... Mar-aviiilhaaaaa!!!... Neste esplêndido instante praiano nossa alegria parecia a do Cabral e cia. avistando terra firme, após navegarem o majestoso Atlântico, atracando ali, também em abril, em 1.500! Sentindo-me o próprio Caminha, atentamente observei a litorânea paisagem que a seguir, em singelas linhas descortino, dando fé a vossa majestade - prezado leitor: O primeiro mergulho foi puro êxtase, um gole de liberdade, prazer e dor pro meu amigo que as nádegas esfolou, “encaixotado” numa onda! Os nativos são bronzeados e bacanas. As nativas popozudas e provocantes! O mar, imenso, verde, azul, misterioso, molhado, salgado!... A cidade, colorida, calorosa, convidativa!... Passado o encantamento inicial, cansaço e fome afinal. Portanto, ao entardecer nos alojamos numa pousada aonde bebericamos água de côco e aguardentes e devoramos moqueca baiana, quente (com pimenta africana)! Cidade, comida, cama e sono sensacionais!

Acordamos numa maravilhosa manhã ensolarada de um típico dia da “boa terra, óxente”! Durante quarenta e oito horas nos dispusemos a percorrer a costa ao norte de Porto Seguro conhecendo quiosque-bares, pousadas, hotéis e outros atrativos à beira-mar. A certa altura chamam atenção o cruzeiro na Coroa Vermelha - símbolo cristão instalado na praia onde se acredita ter sido celebrada a primeira missa no Brasil e, nos arredores, os Pataxós, índios descendentes dos primitivos habitantes do lugar! Lá estes originais brasileiros resistem ao extermínio da sua raça, alguns ludibriados pela cachaça, outros se dedicando à pesca e ao artesanato e turismo, principalmente, para extrair o kaiambá (dinheiro), imprescindível à sobrevivência no mundo do “branco”. Poucas milhas adiante adentramos em Santa Cruz de Cabrália - bela e bucólica vila, espetacular conjunto arquitetônico brasileiro! Para se ter razoável idéia das belezas e riquezas as quais me refiro, nesta cidade tem uma igreja colonial construída a mais de 400 anos, por escravos, à base de pedras e areia, “cimentada” com óleo de baleia e tingida com tinta branca, pigmentada com farinha de ossos, também de baleias!

Retornando, rumo ao sul, de carro-sobre-balsa atravessamos uma baía, desembarcando em direção ao Arraial d’Ajuda, outro antigo lugar de admiráveis monumentos e paisagens, pessoas e noites alto-astral! Ali permanecemos dois dias e nos demos bem com as mulheres, consumindo nossas camisinhas! Na praia eu acreditei na “pornô-propaganda” de um vendedor de ostras ressaltando serem tais frutos do mar poderosos afrodisíacos (não que eu estivesse precisando). Todavia, atribuí (parcialmente) aos moluscos a minha selvagem performance sexual com a Iúna, uma alegre nativa - peituda, simpática, bunduda (e boa de cama) que me deixou extremamente excitado e exausto! O Cláudio ficou com uma paulista “da hora, ô meu”. Ele e “a mina curtiram boas baladas” também sob efeito dos mencionados mariscos. Amanhecendo nos despedimos delas, prometendo voltar brevemente e continuamos nossa viagem...

continua na próxima postagem...